sábado, 28 de junho de 2014

se ele quisesse
eu estaria aqui
ancorado no presente

tal qual onda ao rochedo
meus corpo arrastando
em eterna vaga
as areais das suas praias

a procela em confusão
ruge
e estou só

sexta-feira, 27 de junho de 2014

devolva o caminho

Equilibre-me na corda do seu arco
arqueje a lua até o seu extremo.

Meu corpo em dor
chora um caminho por onde voar.

Desinteressado larga o arco 
lançando-se na indiferença.

Eu ao chão
arco rente ao corpo
marcado pelas garras da sua mão

ao colocar-me na mira.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Atravessando a avenida.

     Coisas acontecem quando eu escrevo uma história, pessoas passam desnorteadas na rua lá embaixo, e o vento me assusta ao balançar as altas árvores que formam o canteiro no meio da rua principal. A água quase fervendo chama a minha atenção e eu preciso parar de escrever, antes que o fogo tome conta de tudo. O fogo não toma nada, ele nem quer existir, busca constantemente extinguir-se quer ficar só, ele sabe que sozinho não é suficiente, ele já está subordinado a sua constante incapacidade e eu me rendo ao fado do fogo, ao meu modo.

terça-feira, 18 de março de 2014

sem mais saudade

Ridícula, absolutamente ridícula
não me esqueça
você já pensou em não falar
cores diferentes viram uma
palavras, ridiculamente usadas
não há utopias
não falta nada,
pois é mais forte que eu
e aquilo que creio

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

I

sua mão quente sobre meu peito
mão quente sobre meu peito
meu peito aroma
aroma de mão quente
no meu peito
aroma se faz

II

estremeço ao toque
silêncio cheio de respiração
desperto constrangida
estremecida de aroma
aroma de toque
toque quente
da sua mão
sobre meu peito

III

bamboleio sobre o salto
em direção à luz fria depois da porta

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

a fera em busca do lugar das coisas perdidas

     Como é o nome do livro? Pera, deixa eu ver, eu já li. (disse o mendigo segurando uma caixa ornamental com três livros perfeitamente encaixados.) Já li, foi meu pai que escreveu. (brandou, me causando espanto e curiosidade. Sem esperar a atenção da imensa platéia arrematou.) Escreveu quando voltei a falar com ele. Foi entrando no mar e se perdeu nas ondas. Voltou com o olhar de quem viu o último grão de areia, nas mãos trazia a experiência e a morte que lhe fugia ao menor intento de permanecer vivo. Escreveu sem parar; cem, mil, dez mil folhas. Seu olhar tornou-se trivial, suas mãos murcharam e dele começou a exalar um cheiro de mar. Saiu à porta, abriu os braços maravilhado com a imensidão do céu, ele queria se perder, sabia qual o seu destino agora. Seguiu a calçada até alcançar, ele precisava subir.